O calor extremo já é considerado uma das ameaças climáticas mais letais e de crescimento acelerado, impactando vidas, economias e meios de subsistência. Com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C cada vez mais distante, especialistas alertam que reduzir emissões e ampliar estratégias de adaptação são medidas indispensáveis.
Em mensagem oficial, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que os últimos onze anos foram os mais quentes já registrados e reiterou que o mundo caminha para ultrapassar temporariamente o limite de 1,5°C. Segundo ele, o desafio é conter esse avanço, tornando-o o mais breve e seguro possível.
Guterres defendeu ações concretas, como a redução drástica das emissões de gases de efeito estufa, a aceleração da transição energética para fontes renováveis, o corte das emissões de metano e a proteção de florestas, oceanos e solos. Também enfatizou a importância do financiamento climático para países em desenvolvimento, visando preservar vidas e fortalecer economias.
Campanha global e engajamento digital
Como parte das ações, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou o primeiro Desafio Global de Dança do Clima. A iniciativa mobilizou milhares de pessoas nas redes sociais, com vídeos publicados no Instagram, TikTok e YouTube, utilizando hashtags como #AjaPeloClimaAgora.
A campanha contou com trilha sonora do DJ brasileiro Alok, recentemente anunciado como embaixador da Boa Vontade do PNUMA, ampliando o alcance da mensagem entre o público jovem e incentivando a participação ativa da sociedade.
No Brasil, a mobilização ganhou força com a adesão de escolas, projetos sociais, artistas e cidadãos de diferentes regiões. De norte a sul do país, iniciativas locais reforçaram que a ação climática depende do engajamento coletivo.
Cidades se unem contra o calor extremo
Outra iniciativa de destaque foi a iniciativa 50@50, que reuniu mais de 50 cidades para enfrentar o aumento das ondas de calor. Municípios brasileiros como Teresina, Campinas e Fortaleza integraram o projeto, que busca fortalecer a resiliência urbana e compartilhar soluções sustentáveis.
A iniciativa também contribui para o movimento global “Beat the Heat”, o Mutirão Contra o Calor Extremo lançado pela Presidência da COP30 em conjunto com o PNUMA, voltado à redução dos impactos do calor extremo e à promoção de sistemas de resfriamento mais eficientes e sustentáveis.
Debates e soluções para cidades resilientes
No Brasil, durante a Rio Nature & Climate Week, foi apresentado um diagnóstico feito a partir de um levantamento com 53 cidades brasileiras que participam do Beat the Heat, durante evento no Centro de Operações do Rio de Janeiro (COR-Rio). Segundo o estudo, 93% dos municípios classificam o calor extremo como relevante e 68% o colocam entre os três maiores desafios locais. Porém, esse reconhecimento ainda não se traduz em capacidade de resposta: a maioria das cidades está em fases iniciais de planejamento, enfrenta lacunas de dados e governança, e depende fortemente de financiamento externo para avançar.
“O calor extremo é uma catástrofe a conta-gotas que deixa cidades, comunidades e territórios inabitáveis, forçando bilhões de pessoas a mudar suas rotinas. Estudantes perdem aulas, atletas alteram seus treinos e militares precisam mudar suas atividades, por exemplo. Adaptar-se à nova realidade demanda colaboração multinível e intersetorial, com apoio nacional e internacional, como neste Mutirão contra o Calor Extremo”, destaca Ana Toni, CEO da COP30.
No Rio de Janeiro o tema também foi debatido no Museu do Amanhã, durante a Semana do Meio Ambiente. Especialistas, autoridades e representantes do setor privado discutiram estratégias para transformar as cidades em espaços mais resilientes às mudanças climáticas.
O foco esteve na adoção de soluções integradas, que envolvem desde o planejamento urbano até investimentos em infraestrutura sustentável e habitação adaptada ao clima.
Próximos passos
A diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, reforçou que os sinais de alerta do planeta são claros e que ainda há tempo para agir.Segundo ela, enfrentar a crise climática exige mobilização conjunta de governos, empresas e sociedade.
“O planeta, por anos, tem enviado sinais de que seus limites estão se aproximando. Podemos prevalecer nessa luta pelo futuro do planeta. Podemos criar nossa própria história agindo para desacelerar e nos adaptar às mudanças climáticas – proporcionando sociedades mais seguras, saudáveis, prósperas e mais justas para todos. Mas vamos precisar de todos: desde as nações e pessoas mais ricas, que têm a maior responsabilidade pela crise climática e, portanto, podem fazer a maior diferença, até ativistas climáticos e pessoas comuns”, acrescentou.
O Dia Mundial do Meio Ambiente 2027 será sediado pela Sérvia, dando continuidade aos esforços globais de conscientização e ação climática.
Sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente
Celebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma das principais datas globais dedicadas à conscientização ambiental. Criado em 1973, o evento é liderado pelo PNUMA e mobiliza milhões de pessoas todos os anos.
Sobre o PNUMA
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente é a principal autoridade global em temas ambientais. O organismo promove cooperação internacional e apoia países na construção de soluções para o desenvolvimento sustentável, garantindo qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
Fonte: brasil.un.org
